quarta-feira, 9 de março de 2011

Quesito indagação

    
    Copos a mais e a recusa, ignorada, à dose extra. Abram alas para os devaneios tolos! Infundados.
    O enredo noturno, em seu itinerário habitual, atendendo às entonações brandas quase impalpáveis. Decibéis numa luta titânica em busca do mérito da sobreposição. Raivosos feito cães com queixas fundamentadas no vão. Uivam, à esmo!
    Prazer em revê-las, vozes tênues. 
    Bem vindos, sussurros apaziguadores!
   Sobressai-se a necessidade dúbia de  troca de amabilidades. Delicadeza ao tocar, dizer e apreciar as meninas dos olhos.  Habituais são, despedidas embebidas em afeto: disponha-me, sem pormenores, não poucas doses.
          

terça-feira, 1 de março de 2011

Preto em branco

Frente à tela em cristal líquido, a afeição viva se mescla à opressão tímida - pungente.
O júbilo: a presa, cujos rastros farejados transcendem léguas. O ataque é iminente, mas não o é, de fato!

Porque é inquietude. E sorri.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ímpeto

      Ávida pelo pulsar das veias, a álgebra sobe ao palco a fim de declarar que dois é melhor que um, ou que qualquer outra combinação do gênero.
   O tributo à continuidade conforta. A ruptura decorrente das vozes mudas traz à tona o pesar da ausência, mas sobretudo, os quês circundates.
   Deposito nas entrelinhas a vontade desmedida do querer ser em totalidade, ao passo que o temor, desde sempre persistente, me reveste como a roupa do inverno. No entanto, poderá compreender tal temor como qualificado, quando sentir que sua gênese procede do bem-querer.
   Então verá que o somatório de forças opostas resulta num anseio taquicárdico pela ilimitação. Que o tom gélido do desenrolar dos fatos faz-se descartável. Que o que eu mais cobiço é presenciar as piscadelas lentas, o sorriso desconcertado, a voz suave e o jeito doce, mesclados em volúpia. E que, uma vez inserida nesta zona deleitável, permito acesso a meu sorriso genuíno. 
   Rumemos ao que nos aquece. Daí, as luzes não se apagarão. 

sábado, 1 de janeiro de 2011

Para recobrar os sentidos

      Banda esquerda do peito com anos-luz de bpm. Queixo a ultrapassar os limites da escala Richter. Níveis pluviais dos olhos em exacerbo. Só sinais clínicos do corpo cuja alma futricou o passado e, por consequência, se assombrou. Mas assustou-se por se deparar com mentiras - mentiras escutadas, mentiras vividas e seguidas. E sentiu-se vulnerável, frágil, dolorida.
    Percebeu que já estivera anormal previamente. Teve febre, alta - de delirar. Delirar a ponto de botar fé nas palavras que ouvia, nas atitudes que a concebiam. A ponto de sorrir, honestamente, para quem lhe esbofeteara. Sentiu na pele o preço ardente da ingenuidade. Pôs em dúvida o valer à pena a credibilidade. E créditos em outrem pareceram ser risíveis.
     - Se renegas este cenário, querida alma, deverias ter ficado na tua. Já eras. Aguenta-te! Mas sei, com conhecimento de causa, que és forte. Muito.
     Ficou receosa em magoar quem a magoara, em quaisquer cantos que compartilhasse com aquele sujeito. Então este veio com travessas nas mãos e na cabeça, que nem Carmem Miranda. Só que em vez de frutas, ofertou insultos ao ego alheio. 
     Tenho que dizer que brotaram milhares de palavras na boca. Só que não vou citá-las, porque é feio xingar em local público. Fica a seu critério desvendá-las, caro leitor.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Dentes à mostra e pálpebras abertas

           O travesseiro não conseguiu absorver tamanha sensação de bem-estar e, teimoso como de praxe, não concedeu mais uma noite de repouso. Noctivaguei.
     Costumo dizer que as fortes emoções não se dão bem com meu leito de sono. Só pra esclarecer: não foi por uma coisa em específico, é só que o céu se limpou num súbito instante, a luz incidiu no meu caminho, e estou a sofrer de cãibras na face, por não saber parar de sorrir. Muito pouco parece suficiente pra eu ganhar o dia. 
     E se quer informação, nem eu sei bem pontuar a procedência dessa vontade demasiada de arreganhar os dentes. Talvez estourou o cano da serotonina. Talvez haja pouco tempo para dedicar a maus presságios. Pode ser que o que digo seja clichê. Certamente enxergo a necessidade de transcendência: satirizar aquilo que quer tirar sarro da gente. Coloquemos os óculos de piada!
     Quanto a você, senhora Infelicidade, fique sabendo que será em vão estender de novo suas pesadas mãos para mim. Porque tendo à leveza. Sofremos de incompatibilidade de gênios. A relação não daria certo, ok?! 
     A noite disse adeus, o dia já cumprimenta. 
    Agora  que já despejei, aqui, um pouco do verbo que transbordava em mim, vou ali tentar fazer as pazes com o travesseiro...

domingo, 28 de novembro de 2010

O trigésimo dia

Consulto a caixinha do correio, ela persiste convicta em manter-se vazia. Não poucas vezes, inunda-me a impressão de que a vida é uma festa para a qual não me enviou o convite. 
Que audácia, a dela!
Só que, por existir uma reserva de quarto para a meninice na alma, pulo o muro dos fundos e lá estou de penetra no evento. Faço-me auto convidada. O ambiente parece envolto pela inércia do excelente estado. A artilharia da oposição se mascara. E o desenrolar dos fatos acontece, como é de se supor.
Exponho-me em sinceridade. A infante grita do seu leito. Por ouvi-la em bom timbre, também ponho crédito na genuinidade de outrem. Resultado: a paradoxal sensação de contentamento e aflição no trigésimo dia. Anseio por recidiva, clareza de que há ressalvas.
Com os joelhos ainda ralados e as mãos sujas com a poeira do chão, não me reconheço uma atacante inata. A injúria não é meu objetivo. O único argumento que utilizo é a armadura desajustada. Aliás, careço também da conduta auto-explicativa. E deixo espalhado em outdoors o apreço por ele, só não vê quem não quer. 
Sussurro para aquela que grita dentro de mim: “abranda-te lá no âmago, menina, com o estado de sítio que vigora!” 
    Refugio das artilharias estrangeiras, ajusto minha armadura de proteção e me alojo em trincheiras emocionais. Explorem todo o campo da superfície - o da superficialidade -, soldados, exceto o meu terreno escavado. Reconheço-me, por enquanto, abstêmia radical e não lhes dou a alternativa para mais estragos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Desventura sob negligência

          Falta-me, por hora, o discernimento das coisas. As traduzo por ideias próprias, intenções alheias e propósitos de ambos. Irmã das coisas fugidias é minha atual convicção de parentesco. 
     Andei de mãos dadas com a prudência, e quando a soltei de vez e abracei a certeza de ser permissiva,  me reconheci transeunte de estradas bloqueadas. 
     Lia-se na placa: "Proibida a passagem dos exaustos. Deixaste ao longo do caminho tua essência, a serenidade do íntimo e os passos sedentos. Perdeste neste novo itinerário. Andes, vás! Dês um passo atrás, para que possas talvez dar dois, três, ou até quatro à frente."
     E fui empurrada. Troquei os passos. Cambaleei no caminho de volta. Realizei que àquela imposição não caberiam parcerias. Aceitei. Não de bom agrado. Com péssimo agrado.E ,à contra-gosto, regressei naquela estrada.Com os pés descalços, as feridas se abriram. Não vou mentir, ainda doem. Mas doem sem a perspectiva da ira, tenha essa certeza.
     Reincorporei um pouco do que sempre coube a mim. Sublimei os maus presságios. Busquei paliativos.
     E se, à priori, demonstrei revolta, não pense que seja por  você ter mudado de ideia com tal rapidez, perdido a vontade ou enjoado mesmo. Metamorfose é característica inerente ao ser humano. É fato e não o contesto, admiro até. Mas tem que fazer-se metamorfosear sem ser leviano. Cativas e o é responsável por isto. Deve-se procurar sinestesia no discurso: ter tato ao verbalizar. Embora eu saiba que não o fez por má fé.
     E eu, que mal entendo de sinestesia, só quis oferecer o melhor. Dentro das minhas condições, já desgastadas, mas o tentei. E decepcionei comigo mesma, quando descobri o infortúnio da tentativa.
     Desejei a felicidade conjunta. Se foi preciso reparti-la, não quererei ficar sozinha com este bem. A compartilho e, com a  permissão, instigarei sua mitose para ambos. Se no proveito tropeçar, Duas Mãos é meu nome.